sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Abertura Coronária

CONCEITO

Procedimento através do qual expomos a câmara pulpar e removemos todo o seu teto.

INTRODUÇÃO

O campo de trabalho do endodontista é a cavidade pulpar. Durante um tratamento de canal radicular, este campo é visualizado apenas parcialmente. Para compensar esta falta de visão direta do campo onde vai atuar, o endodontista conta com a radiografia. Aliado à radiografia e o perfeito conhecimento prévio da anatomia interna dos dentes, tanto dos aspectos normais como das variações mais frequentes.Antes de descrevermos a técnica da abertura coronária, vejamos de uma maneira muito sucinta alguns aspectos e conceitos da cavidade pulpar. 







INSTRUMENTAL PARA ABERTURA CORONÁRIA

O acesso à cavidade pulpar pode ser realizado com pontas diamantadas ou com brocas carbide em alta ou baixa rotação. A baixa rotação normalmente é empregada para a remoção do tecido cariado com o auxílio das brocas esféricas lisa carbide nº 2, 4, 6 ou 8. Em alta rotação empregamos primeiro brocas de ponta ativa até atingirmos a câmara pulpar. Para este procedimentos podemos utilizar as brocas carbide nº 1557 ou as pontas diamantadas tronco-cônica nº 1095. Todas as brocas devem possuir tamanhos proporcionais à coroa do dente a ser tratado. Após atingirmos a câmara pulpar devemos substituir as brocas de ponta ativa por uma broca tronco-cônica de ponta inativa para a remoção de todo o teto da cavidade pulpar. Podem ser empregadas as pontas diamantadas n° 3080, 3082 ou a broca Endo-Z. Ao final desta manobra chegaremos à forma de conveniência adequada a cada elemento dentário. Além das brocas ou pontas, são empregados curetas de haste longa n° 11/12, 29/30 ou 35/36, espelho bucal primeiro plano, explorador 
duplo clínico no. 5 e explorador para Endodontia.


ETAPAS OPERATÓRIAS DA ABERTURA CORONÁRIA

Ponto de Eleição – é o ponto de partida para o início do desgaste da estrutura dentária.Sendo determinado por um ponto localizado na superfície lingual dos dentes anteriores ou oclusal no caso de dentes posteriores.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         • Direção de Acesso – é a angulagem que se deve dar à broca para que esta atinja a câmara pulpar, devendo-se respeitar a angulagem dos dentes na arcada.                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                               • forma de Contorno – é realizada com a remoção do teto da câmara pulpar. O formato da cavidade corresponde à forma da câmara pulpar de cada elemento dental. Utiliza-se para tanto, uma broca com ponta inativa  para se evitar desgaste indesejado.

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                              • desgaste Compensatório – é o desgaste adicional que serealiza para que se consiga um a c e s s o  d i r e t o  

a o s  c a n a i s radiculares, sem interferência de

projeções dentinárias.



CONCEITO

Quando o tratamento endodôntico não é concluído em sessão única, recomenda-se a aplicação de um medicamento no interior do canal. O fármaco ali empregado terá objetivos diferentes conforme se esteja diante de um caso de biopulpectomia ou necropulpectomia. Assim, nas biopulpectomias os objetivos primordiais do curativo de demora serão de impedir a contaminação do canal radicular e principalmente preservar a vitalidade do chamado "coto periodontal", que nada mais é do que o tecido conjuntivo periodontal contido no interior do canal cementário. Nas necropulpectomias geralmente o coto pulpar está necrosado, ou severamente comprometido, constituindo nossa principal preocupação a eliminação das bactérias contidas nos túbulos dentinários e canal radicular e suas ramificações. Desta forma o principal local de ação dos medicamentos será junto ao coto periodontal e tecidos periapicais, nas biopulpectomias, e interior do sistema de canais radiculares e túbulos dentinários, nas necropulpectomias .


Fonte: GOMES FILHO, JoÃo Eduardo; CINTRA, Luciano Tavares Angelo; DEZAN JUNIOR, Eloi. MANUAL DE ENDODONTIA PRÉ-CLÍNICA. 2014. Disponível em: . Acesso em: 01 set. 2017.

Fonte das imagens :GOMES FILHO, JoÃo Eduardo; CINTRA, Luciano Tavares Angelo; DEZAN JUNIOR, Eloi. MANUAL DE ENDODONTIA PRÉ-CLÍNICA. 2014. Disponível em: . Acesso em: 01 set. 2017.








segunda-feira, 13 de março de 2017

Ameloblastoma



 (Dultra et al., 2014)


O ameloblastoma foi descrito, pela primeira vez em 1930 por Ivey e colaboradores.1,2 Trata-se de um tumor odontogênico epitelial, benigno, localmente invasivo e de crescimento lento.3 Dentre os tumores odontogênicos que acometem os ossos gnáticos, é o tumor de maior significado clínico,4 representando cerca de 1% de todos os tumores e cistos odontogênicos.1 Os ameloblastomas acometem tanto a mandíbula quanto a maxila, tendo maior prevalência na primeira, principalmente nas áreas de corpo e ramo mandibular.4 Não há predileção quanto ao gênero e raça, apresentando maior incidência em adultos jovens, com média de idade de 35 anos. O desenvolvimento em crianças é raro.2 Podem ser classificados como sólidos ou multicísticos, unicísticos e periféricos,5,6 sendo o primeiro mais agressivo.2 Normalmente, são assintomáticos, sendo descobertos em exames radiográficos de rotina; porém, podem transformar-se em lesões de grandes proporções, provocando perfuração de corticais ósseas, deslocamento e reabsorção dentária.6 Radiograficamente, a variante multicística caracteriza-se por apresentar aspecto radiolúcido multilocular com padrão de bolhas de sabão ou favos de mel, bordas irregulares, podendo (ou não) estar associada a um dente incluso.4,6,7 O tratamento, dependendo do tipo histológico e localização da lesão, pode variar desde enucleação, curetagem, marsupialização, crioterapia, ou uma combinação as técnicas de ressecção (marginal ou segmentar).1,4 
Os ameloblastomas correspondem, aproximadamente, a 1% de todos os cistos e tumores odontogênicos, possuindo maior incidência na mandíbula e na terceira ou quarta décadas de vida.4,8,9,10 A predileção por gênero é controversa, havendo discordâncias estatísticas descritas na literatura. Ameloblastomas são tumores benignos agressivos, podendo originarse do órgão do esmalte, lâmina dentária, folículo de cistos odontogênicos (principalmente dentígero) ou, possivelmente, de células epiteliais da camada basal da mucosa oral.9 De acordo com a nova classificação da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2005, foi reconhecida a existência de quatro variantes clínicopatológicas distintas do ameloblastoma: multicístico ou sólido convencional, unicístico, periférico e desmoplásico. Devido a diferenças clínicas e imagenológicas entre os ameloblastomas constituídos exclusivamente pelo padrão desmoplásico e lesões sólidas constituídas pelos demais padrões histoló- gicos, na mais recente classificação dos tumores odontogênicos da OMS, o padrão desmoplásico foi excluído do espectro histopatológico do ameloblastoma sólido e enquadrado como uma variante distinta, designada ameloblastoma desmoplásico. De acordo com a OMS, ameloblastomas que exibem concomitantemente áreas de ameloblastoma sólido e ameloblastoma desmoplásico são designados de lesões híbridas. Porém, áreas focais de ameloblastoma desmoplásico podem ser identificadas com relativa frequência em ameloblastomas sólidos.3 A variante multicística é a mais comum, compreendendo 86% dos ameloblastomas, com maior tendência de agressividade e maior taxa de recorrência. Quanto à localização, 80% dos ameloblastomas são encontrados na região posterior da mandíbula e estão frequentemente associados com dentes inclusos. No presente artigo, a lesão encontrava-se na região posterior de mandíbula; porém, não havia associação com dente incluso, o que nos levou a pensar em outra hipótese diagnóstica, como cisto residual. Os 20% restantes acometem com mais frequência a região da tuberosidade maxilar.8,9 Os ameloblastomas unicísticos acometem com maior frequência pacientes jovens quando comparados com os outros tipos.10 Os ameloblastomas normalmente apresentam padrão radiográfico de lesões multicísticas radiolúcidas, com limites bem definidos de forma semelhante a “favos de mel” ou “bolhas de sabão”. Características que diferem do caso relatado, já que se observa radiograficamente uma lesão radiolúcida unilocular, tornando a suspeita diagnóstica de ameloblastoma menos provável. Em menor número, apresentam-se como lesões unicísticas radiolúcidas uniloculares, que, em geral, circundam a coroa de um dente incluso, podendo ser confundidos com cistos dentígeros.8,9,10 A reabsorção dentária é um fator característico que diferencia o ameloblastoma de lesões císticas simples.10 Apesar de mostrar ser uma lesão radiolúcida unilocular, não havia dente incluso associado ou reabsorção radicular de dentes adjacentes no presente caso, o que torna a suspeita diagnóstica de cisto residual ainda mais plausível. Quanto ao comportamento clínico, trata-se de um tumor de crescimento lento, normalmente assintomático, podendo provocar deslocamento, mobilidade e reabsorção dentária, assim como parestesia. Possuem potencial de expansão de corticais e ou erosão das mesmas com invasão de tecidos moles.10 Apesar do comportamento clínico já sedimentado na literatura, no presente caso, não foi observado deslocamento, mobilidade ou reabsorção dentária. O paciente queixava-se de dores esporádicas na região do dente 36, diferindo da característica assintomática que normalmente se observa nos casos de ameloblastoma. Além disso, o paciente não relatou qualquer alteração nervosa no território inervado pelo nervo alveolar inferior esquerdo. O tratamento do ameloblastoma coloca o cirurgião Bucomaxilofacial em um dilema quanto à escolha da melhor opção cirúrgica. Acreditavase anteriormente que, por se tratar de um tumor benigno, a melhor forma de tratamento seria a enucleação seguida de curetagem e posterior ressecção de uma área menor do que a lesão inicial, caso houvesse recidiva. Entretanto, apesar de ser considerado um tumor benigno, o ameloblastoma apresenta comportamento agressivo, podendo haver recorrência local, transformação maligna e até mesmo metástase à distância. A literatura mostra que o melhor prognóstico para este tipo de lesão está associado à escolha de um tratamento mais radical, sendo a ressecção com ampla margem de segurança a melhor forma de tratamento para o ameloblastoma.5,10 Baseado nas características clínicas e radiográficas, incomuns quando comparadas às descritas pela literatura, o paciente foi tratado através da enucleção e curetagem, já que a hipótese de lesão cística mostrava-se pertinente. Se os exames radiográficos forem levados em consideração para avaliar a taxa de crescimento e comportamento biológico deste tumor, o tipo multilocular apresenta pior prognóstico. Além disso, o tamanho, a presença de bordas escleróticas e limites bem definidos podem tornar o prognóstico mais satisfatório.8 A opção pela enucleação e curetagem, no caso relatado, também levou em consideração o aspecto radiológico, em que se pode notar lesão unilocular, com bordas escleróticas e limites bem definidos.

Fonte:  DULTRA, Vinícius Rio Verde Melo Munizi | Daniel Jorge da Silva Monteiro de Freitasi | Rafael Fernandes de Almeida Nerii | Joaquim de Almeida Dultraii| Fátima Karoline Araujo Alves. Características Clínicas, Radiográficas e Diagnóstico do Ameloblastoma: Relato de Caso. 2014. Disponível em: . Acesso em: 13 mar. 2017.

sábado, 11 de março de 2017

O líquen plano da mucosa oral (LPO)



O líquen plano da mucosa oral (LPO) trata-se de uma afecção que pode aparecer isolada ou associada ao líquen plano cutâneo, havendo contudo diferenças significativas clinico-evolutivas, como seja o LPO tende a ser crónico, recidivante e de difícil tratamento (Nico, et al., 2011). Sendo que o diagnóstico, segundo Ingle (2002) é o procedimento em que ao aceitar um paciente, reconhece que este tem um problema e determina a causa do mesmo, desenvolvendo um plano de tratamento que resolva e/ou alivie o problema. Torna-se pertinente determinar se o diagnóstico de LPO, pode afectar o plano de tratamento, prognóstico e a necessidade de terapia de apoio para complementar o tratamento propriamente dito (Gutmann, 2009). Como doença mucocutânea inflamatória crónica, mediada por células T, de causa desconhecida. Caracteriza-se, na pele, por erupção papulosa, que ocorre na maioria dos casos entre os 30 e 60 anos de idade, todavia já existem relatos em crianças (Nico, et al., 2011). Torna-se assim necessária a correta avaliação do Médico Dentista (MD), que antes de iniciar qualquer tratamento primeiro necessita reunir todas as informações disponíveis sobre os sinais e sintomas, bem como o resultado dos testes de diagnóstico (Jafarzadeh & Abbott, 2010a). Devido à sua relativa frequência, cronicidade, remissão espontânea rara, com potencial maligno e frequentemente fonte de morbilidade (Regezi & Sciubba, 2000).  

II - LÍQUEN PLANO ORAL - LESÃO PRÉ-MALIGNA 

1– Lesão pré-maligna da cavidade oral Desde 1978 a Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o líquen plano como sendo uma condição cancerígena pré - maligna, existindo controvérsias entre diversos autores. Cerca de 2 a 3% das lesões tornam-se malignas. Porém menos que 0,5% dos líquenes plano em não fumadores desenvolvem carcinogenese. É mais comum a transformação maligna em líquenes erosivos ou atróficos (Santos & Teixeira, 2011). O risco de transformação aumenta quando o portador de líquen é exposto a factores mutagénicos, (pois este torna-se mais sensível), eles são o tabaco, tabaco de mascar, álcool, e a candidíase (Ismail, et al., 2007). 1.1. Definição e conceito de líquen plano oral O Líquen Plano é uma desordem relativamente comum, crónica, inflamatória que afecta a mucosa oral e tecidos subjacentes. O líquen plano oral ocorre mais frequentemente na sua forma cutânea e tende a ser mais persistente e mais resistente ao tratamento (Edwards & Kelsch, 2002) e (Bermejo-Fenoll et al., 2010). Por ser uma doença crónica auto-imune mediada por linfócitos T que afecta o epitélio escamoso estratificado (Roopashree, et al., 2010), é considerada uma das doenças dermatológicas mais comuns que acometem a cavidade oral, com prevalência de 1% a 2% na população geral (Sousa & Rosa, 2008). Contudo, pode apresentar-se na pele, anexos da pele, cavidade oral e mucosa extra-oral como vulva e vagina (Scully & Carrozzo, 2008). Na mucosa oral encontra-se mais frequentemente a nível da mucosa jugal, gengiva e bordos laterais da língua (Regezi & Jordan, 2008). Pode manifestar-se, como se verá mais aprofundadamente num dos sub-capítulos seguintes, de diversas formas clinicas como atrófico, bolhoso, erosivo, em placa, papular e reticular (Canto, et al., 2010). Por ser uma doença com poucos pontos de concordância, e uma vez que quase todos os aspectos relacionados com o LPO são alvo de muita controvérsia, especialmente em relação ao seu potencial de transformação maligna (Sousa & Rosa, 2008). Torna-se pertinente compreender a origem da doença, sendo necessário levar em consideração diversas características ligadas à pessoa, espaço físico e temporal, para poder determinar as medidas de prevenção e controlo mais indicadas para resolver a doença. Desta forma, em seguida abordar-se-á a epidemiologia desta patologia. 1.2. Epidemiologia do líquen plano oral Actualmente compreende-se como epidemiologia a ciência que estuda o comportamento das doenças numa determinada comunidade, de forma a avaliar quais serão as estratégias a serem adoptadas e se as mesmas causaram impactos, diminuindo e controlando a ocorrência da doença em análise. Estima-se que a prevalência do LPO varie entre 1% a 2%, na população em geral (Gorsky, et al., 2004), (Sousa & Rosa, 2008) e (Vélez, 2013). Já Nico et al. (2011) apresentam valores compreendidos entre 0,5% a 4% da população em geral, havendo 1 forte predilecção no sexo feminino. A idade de ocorrência na maioria dos casos fica compreendida entre os 30 e 70 anos de idade, especialmente na 5ª e 6ª década de vida (Farhi & Dupin, 2010) (Lodi, et al., 2012). Já Eisen (2002), Edwards & Kelsch (2002), Laeijendecker et al. (2005), Sousa & Rosa (2005, 2008), referem que esta doença, afecta mais nestas décadas, mas no sexo feminino, mas Bombeccari, et al. (2011), considera que o LPO afecta mais as mulheres acima dos 40 anos, não descartando que esta doença também pode afectar indivíduos menores de 18 anos, preservando as mesmas características clinicas com as quais se manifesta nos adultos, mas com prognóstico mais favorável. Bascones-Ilundain, et al. (2006), Ismail, et al. (2007) e Carrozzo & Thorpe (2009), relativamente a prevalência das estimativas entre diferentes populações, aludem que parece exibir uma predilecção racial, sendo que na população espanhola é de 0,2 a 2%, 0,5% na população japonesa, 1,9% na população sueca, 2,6% na população indiana, 0,38% na Malásia. Sousa & Rosa (2008) observaram que, as mulheres são quatro vezes mais acometidas do que os homens e que indivíduos da raça branca possuem um risco cinco vezes e meia maior de desenvolver a doença, comparada com as demais raças. No estudo de Sugerman & Porter (2010), existe referência que nos EUA a prevalência é desconhecida. Numa perspectiva histórica, pode-se constatar que os estudos que existem referem que Regezi e Sciubba (2000), considera que a doença reporta-se entre homens e mulheres aproximadamente em números iguais, Azul & Trancoso (2006), Grossmann, et al. (2006) e Ismail, et al. (2007), consideram que a doença reporta-se numa relação de 2:1 entre mulheres e homens, Grando, et al. (2012), referem que, é comum em mulheres de meia-idade na proporção de 3:2 em relação aos homens. A nível de localização na região intra-oral, o estudo de Mignogna et al. (2005), avaliou 700 pacientes com LPO, e relata que 48% dos mesmos tinham comprometimento gengival e que em 7,4% dos pacientes pesquisados, as lesões limitavam-se somente à mucosa gengival. Além disso, observaram ainda que 20% dos casos de transformação maligna envolviam a mucosa gengival reforçando ainda mais a importância do exame histopatológico no diagnóstico final da doença. É de reforçar que as lesões da mucosa oral ocorrem em 50 a 70% dos doentes com líquen plano oral e podem ser exclusivas em 20 a 30% dos doentes. Esta não é uma doença que afecta apenas a mucosa oral e genital, muito raramente também atinge a mucosa anal, do nariz, laringe, conjuntiva e uretra (Nico et al., 2011). 

1.3. Características clínicas do Líquen Plano Oral 

Clinicamente o LPO possui características distintas e fáceis de serem identificadas apresentando-se sob duas formas principais: reticular e erosiva, embora existam outras formas mais raras de apresentação (Edwards & Kelsch, 2002) (Eisen, et al., 2005).De facto, segundo Sousa & Rosa (2008), Canto et al. (2010) e Vélez (2013), existem outras quatro formas descritas: papular, “em placa”, bolhosa e atrófica.

 1.3.1. Forma reticular 


Será a forma que ocorre com maior frequência caracterizando-se por linhas brancas entrelaçadas, conhecidas como estrias de Wickham, e em geral, encontram-se cercadas por uma discreta borda eritematosa. Podem não ser evidentes em alguns locais, como o dorso da língua, onde as lesões se apresentam como placas queratóticas. Não causa sintomas e envolve a mucosa jugal posterior bilateralmente. Existe ainda registos, em que podem estar envolvidos ao mesmo tempo, o dorso e a parte lateral da língua, as gengivas e o palato (Mollaoglu, 2000), (Edwards & Kelsch, 2002), (Neville, et al., 2004), (Ingafou, et al., 2006), (Regezi & Jordan, 2008) (Scully & Carrozzo, 2008), (Sousa & Rosa, 2008), (Carrozo & Thorpe, 2009), (Canto, et al., 2010), (Castillo & Peña, 2012).

1.3.2. Forma erosiva 

A par da forma reticular, existe a forma erosiva, ou seja, embora não seja tão comum é a mais significativa para o paciente porque as lesões são sintomáticas, variando desde o simples desconforto até episódios de dor intensa capaz de interferir com a função mastigatória, principalmente com alimentos quentes, picantes ou ácidas. Manifesta-se clinicamente por áreas atróficas e eritematosas frequentemente cercadas por finas estrias radiantes, ou por uma ulceração coberta por uma placa fibrinosa ou pseudomembranosa. (Ismail,et al., 2007), (Sousa & Rosa, 2008), (Canto, et al., 2010), (Castillo & Peña, 2012). 

1.3.3. Forma bolhosa 

Se o componente erosivo for muito grave, poderá ocorrer separação do epitélio, resultando nesta forma de líquen plano bolhoso. O diâmetro das bolhas varia desde pequenos milímetros a centímetros e tendem a romper tornando-as dolorosas. A periferia da lesão encontra-se normalmente rodeada por estrias queratinócitas finamente irradiadas ou reticulares. Encontram-se geralmente na mucosa jugal em especial nas regiões posteriores e inferiores adjacentes aos 2º e 3º molares. (Edwards & Kelsch, 2002) (Neville, et al., 2004) (Regezi & Jordan, 2008) (Sousa & Rosa, 2008), (Canto, et al., 2010). 1.3.4. Tipo “em placa” Este tipo apresenta irregularidades esbranquiçadas e homogéneas que se assemelham a leucoplasia, ocorrendo, principalmente no dorso da língua e na mucosa jugal. Estas lesões podem ser multifocais, mudando o aspeto, tornando-se elevadas e/ou rugosas. (Canto, et al., 2010) 

1.3.5. Forma papular 

Sendo uma forma raramente observada, é normalmente acompanhada por outro tipo de variante descrita. Caracteriza-se por pequenas pápulas brancas, com diâmetro a oscilar entre 0,5mm e 1,0mm, com estriações finas na sua periferia (Ismail, et al., 2007), (Canto, et al., 2010). 1.3.6. Forma atrófica ou eritematosa Apresenta-se com lesões avermelhadas difusas, podendo aparentar ser uma mistura de duas formas clinicas, como a presença de estrias brancas características do tipo reticular circundada por uma área eritematosa. É sintomática, uma vez que produz uma sensação de queimadura, hiperestesia, dor e mal-estar generalizado. Em cerca de 10% dos pacientes, as lesões confinam-se à gengiva, caracterizando-se por uma área eritematosa ou ulcerada localizada na gengiva e associada a pequenas áreas esbranquiçadas denominada: gengivite descamativa (Ismail, et al., 2007) (Canto, et al., 2010), (Castillo & Peña, 2012).

 1.3.7. Lesões extraorais 

As lesões extraorais cutâneas, ocorrem em indivíduos entre os 25-60 anos, e não apresentam uma predilecção racial nem sexual. Acometem entre 2% a 3% dos pacientes com LPO e são divididas em lesões cutâneas, genitais, ungueais, actínicas, hipertróficas, vesículo-bolhosas e mistas (Canto, et al., 2010). Já Sousa & Rosa (2008), completa dizendo que outros locais de envolvimento extra-oral incluem para além dos citados a mucosa esofágica. Carrozzo (2008), já reporta a mucosa urinária, nasal, laringeal, óptica e anal apesar de raramente envolvidas. Aproximadamente 20% a 25% das mulheres com LPO apresentam também envolvimento concomitante das mucosas vulvar e vaginal, comparativamente com 2% a 4% dos homens na glande peniana. Nas mulheres, as lesões por LP também são cocumitaneamente designadas por síndrome vulvo-vaginal-gengival e nos homens de síndrome pêro-gengival e são sintomáticas, podendo apresentar ardor, descarga vaginal, dispareunia e dor. Estas lesões senão forem atempadamente tratadas podem tornar-se malignas (Ismail, et al., 2007), (Scully & Carrozzo, 2008). Cerca de 15% de todos os pacientes com a doença exibem lesões cutâneas. Estas lesões cutâneas têm sido classificadas como pápulas poligonais pruríticas purpúreas que afectam normalmente as superfícies do flexor das extremidades. Podem ainda apresentar sensação de irritação cutânea, que doem quando o paciente coça (Eisen, 2002), (Neville,et al., 2004), (Sousa & Rosa, 2008). Regezi & Jordan (2008) referem que normalmente estas lesões desenvolvem-se poucos meses depois do LPO e, embora as alterações orais sejam mais constantes observa-se que as lesões cutâneas correspondentes avançam e retrocedem e possuem curso clinico de aproximadamente 1 a 2 anos.


Fonte: CEITA , Jackson . Líquen Plano Oral – Lesão Pré-Maligna?2014. 1-51 p. Dissertação (Mestrado)- Universidade Fernando Pessoa , Porto,2014. Disponível em: Acesso em: 11 mar. 2017.

sexta-feira, 10 de março de 2017

ODONTOMETRIA

(EDUARDO, 2017)

Conceito

Conjunto de meios para a obtenção do comprimento do dente, limitando-se a região cemento - dentina - canal, através de técnicas radiográficas sugestivas, para determinação do comprimento real de trabalho (C.R.T.).

Referências Odontométricas

 Anatômicas
coroa, raiz, câmara pulpar, periodonto, osso .

Referências Radiográficas

Referência apical :Vértice radiográfico
Referências oclusais: borda incisal ou oclusal

Outras observações na radiografia:
Anatomia dental ( esmalte, dentina, canal radicular, tecido cariado, periodonto, osso ), reabsorções, cálculos, formação da raiz, etc...

Técnicas Radiográficas :
Paralelismo: Utilizada para a radiografia de diagnóstico e radiografia final.
Bissetriz: Utilizada na odontometria, para confirmar todos os passos realizados.

 Preparo da Entrada dos Canais e terço cervical e médio

Exploração do canal à 4mm do CAD com lima K#15
Gates #1 - 1/3 cervical ( pequenos movimentos de vai e vem)
Exploração do canal à 5 mm do CAD com lima K#15
Gates #2 - 1/3 cervical ou médio ( pequenos movimentos de vai e vem)
Exploração do canal à 5 mm do CAD com lima K#15
Gates #1- 1/3 médio ( pequenos movimentos de vai e vem)
Escolha do 1# instrumento a ser utilizado na região apical – ODONTOMETRIA

Odontometria Material Necessário
Bandeja
régua metálica
régua plástica
lupa
lima tipo K e H
radiografia de diagnóstico
stops
película de RX envolvida por filme PVC

Técnica Odontométrica – Ingle
Rx de diagnóstico com a técnica do paralelismo, observando todas as estruturas anatômicas

Comprimento Aparente do Dente (CAD), medida que o dente apresenta na radiografia de diagnóstico. No caso de dentes multirradiculares, medir cada uma das raízes com uma referência oclusal (cúspide) para cada uma delas, e comparar com a tabela de medida dos dentes, para observar se não houve distorção.

Com a régua metálica, transportar as medidas para os instrumentos e colocá-los nos seus respectivos canais.

Rx de confirmação para determinar o CRD (Comprimento Real do Dente) e a seguir, o CRT (Comprimento Real de Trabalho)

Ex: Raiz Mesial CRD = 18mm + 3mm CRD = 21mm Raiz Distal

CRD = 17mm + 3mm CRD = 20mm  Determinar o CRT a 1mm do vértice radiográfico, através das medidas obtidas.  Transportar novamente as medidas obtidas para os instrumentos CRT = 1mm do VR Polpa Viva: 1mm Polpa Morta: 1mm

Radiografia de confirmação

Iniciar o Preparo Apical, os instrumentos apresentando-se no Comprimento de Trabalho ideal, realizaremos Preparo Apical utilizando em média 3 a 4 instrumentos.

Fonte: EDUARDO, Manuel Machado de Lima. Curso de graduação em endodontia. Disponível em: . Acesso em: 10 mar. 2017.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Saiba como higienizar suas próteses dentárias removíveis.


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(MESQUITA; OTTOBONI; FIGUEIREDO, 2015)


Fonte: MESQUITA, Thaís Costa; OTTOBONI, Guilherme Salles; FIGUEIREDO, Viviane Maria Gonçalves de. MÉTODOS DE HIGIENIZAÇÃO EM PRÓTESES DENTAIS REMOVÍVEIS. Disponível em: <https://www5.bahiana.edu.br/index.php/odontologia/article/viewFile/683/515>. Acesso em: 08 mar. 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

O que é Sialolitíase?



 (SILVA, 2017)

Os sialolitos são patologias comuns das glândulas salivares que se caracterizam pela
obstrução da secreção salivar por um material mineralizado, acometendo a glândula ou
seu ducto excretor. A quantidade de pessoas acometidas por esta doença é de 12 pessoas
em 10001. Em um levantamento epidemiológico realizado nos arquivos de Patologia Bucal
da Faculdade de Odontologia da Universidade Luterana do Brasil, Canoas/RS, foi avaliada
a prevalência de diagnósticos histopatógicos de lesões bucais biopsiadas na disciplina de
Estomatologia. Do total de 430 casos, obtidos no período entre março de 1994 a julho de
2002, 31 casos se enquadravam nas patologias de glândulas salivares. Destes 31 casos, apenas
02 casos (6,5%), eram de sialolitíase2. Em uma pesquisa exploratória nos arquivos e
laudos histopatológicos do Serviço de Diagnóstico Histopatológico de Lesões Bucais da
Faculdade de Odontologia da Universidade do Vale do Itajaí/ SC, no período de agosto
de 2002 até outubro de 2005, foram encontrados um total de 173 casos de lesões bucais,
onde 24 casos eram de lesões de glândulas salivares, sendo que destes, somente 01 caso
era de sialolitíase3.
Do total de uma análise feita em 213 prontuários pertencentes ao banco de dados
da Clínica de Semiologia da Universidade da Cidade de São Paulo (UNICID), no período
de 2003 a 2008, foram-se obtidos 178 diagnósticos onde apenas 01 foi de sialolitíase4.
Os sialolitos são formados por dois componentes: um orgânico que compreende as
glicoproteínas, mucopolissacarídeos, lipídios e restos celulares e outro inorgânico os quais
participam a apatita carbonada, sais de cálcio e diversos tipos de fosfatos, entre eles, ferro,
cobre, zinco e magnésio. No lúmen do ducto salivar ocorre a deposição dos sais de cálcio
em torno dos restos orgânicos, porém, até os dias atuais, ainda não existe um consenso
sobre a exata etiologia do cálculo salivar5.
Os fatores que permitem a mineralização da matriz orgânica são: o aumento do pH,
este que favorece a precipitação do fosfato de cálcio na saliva; aumento da concentração
de mucina na saliva e sua capacidade de transporte de cálcio e também pela alteração do
ambiente íon saliva6.
Os sialolitos não estão associados a nenhuma doença sistêmica ou metabólica, entretanto
fatores locais, como trauma, podem levar a mudanças inflamatórias na glândula
afetada, desencadeando o processo7.
A sialolitíase pode ocorrer em qualquer glândula, porém, há uma predileção maior
pela glândula submandibular. Quando comparada a glândula submandibular com a parótida,
observa-se que a primeira apresenta particularidades que favorecem a formação do
cálculo, além de que seu ducto, Warthon, é mais longo e possui diâmetro maior que o de
Stenon8,9. O sistema ductal da glândula submandibular é o local de maior ocorrência (80 a
90%) devido a glândula submandibular se localizar topográficamente inferior ao seu canal
excretor10,11. Shafer et al.12 (1987) e Nahlieli et al.13 (2000), afirmam que a sialolitíase acomete
principalmente o sexo masculino. Segundo Cawson & Odell14 (1998), os homens são
afetados duas vezes mais que as mulheres e crianças são raramente afetadas. Porém, para
Castro15 (1995), a predileção ocorre pelo sexo feminino e pela raça branca discordando de
Kawakami et al.16 (1997), que afirma que a sialolitíase ocorre preferencialmente em homens,
na faixa etária entre 30 e 40 anos de idade e que não se observa predileção por raça. Esta patologia acomete principalmente a glândula submandibular devido ao fato da saliva ser
mais alcalina e viscosa e também pela predisposição do ducto de Wharton apresentar um
longo trajeto e estreito orifício17,18. A severidade da sintomatologia varia de acordo com o
grau de obstrução do ducto ou da glândula, levando-se em conta a localização e o tamanho
do cálculo, sendo que, quando localizado no interior da glândula, tende a causar sintomas
menos graves, porém, se o ducto for ocluído ocorrerá sialodenite com infecção.
A sintomatologia é descrita como episódios recorrentes de aumento de volume da
glândula, dor, edema, febre associada à inflamação local, xerostomia, drenagem de secreção
purulenta pelo orifício do ducto da glândula. Os sintomas da sialolitíase são sugestivos
de diagnóstico, sendo que a dor pode ser apenas um dos sintomas, podendo ocorrer em
83% dos casos19 (Figura 1).
Segundo Lima et al.20 (1995) o diagnóstico diferencial da sialolitíase pode ser feito
com sialoadenite obstrutiva, parotidite epidêmica e tumores de glândulas salivares. O
tratamento varia de acordo com a localização e posição do sialolito. Existem tratamentos
conservadores que visam a eliminação do sialolito sem a necessidade de procedimentos
cirúrgicos como, por exemplo, a fisioterapia com calor, bochechos com limão e água ,
massagem glandular, hidratação do paciente, cateterismo e dilatação do ducto glandular,
além do uso de sialogogos para estimular a produção de saliva. A sialolitíase pode
recorrer, necessitando de nova abordagem terapêutica16.
Quando os tratamentos conservadores não surtirem efeito é necessária, muitas
vezes, a intervenção cirúrgica. A escolha do tratamento vai depender principalmente da
localização do cálculo salivar. Para sialolitos localizados próximo ao óstio, o cateterismo
e a dilatação de conduto auxiliam, permitindo sua remoção. Para os sialolitos localizados na metade
anterior do ducto, estes necessitam de uma intervenção cirúrgica e para os localizados na porção
posterior do ducto ou intraglandulares, por vezes, obrigam a remoção total da glândula afetada.
Para detecção de cálculos nas glândulas submandibulares e sublinguais, o exame radiográfico solicitado
nesse caso é o mais indicado21 (Figuras 2 - 7).
Atualmente o melhor método para fazer a confirmação de uma sialolitíase é a
ultra-sonografia, a qual substituiu a sialografia22. A tomografia computadorizada (TC) é o exame mais apurado e geralmente é indicada em casos complexos, para obter diferenciação e localização em casos de existência de múltiplos cálculos, porém, se torna um exame de custo elevado e, muitas vezes, desnecessário para patologias mais simples, como sialolitíases. Tumores exigem exames por imagens, mais complexos, como por exemplo, a TC, a imagem por ressonância magnética (IRM), ou até mesmo a angiografia 23-25.

Fonte: SILVA, Soluete Oliveira da. Sialolitíase: revisão de literatura e levantamento de casos. Disponível em: . Acesso em: 07 mar. 2017.

domingo, 5 de março de 2017

O que é um Freio Lingual?

Freio Lingual (GOMES, 2015)

O freio lingual é uma prega mediana de túnica mucosa que recobre a face lingual da crista alveolar anterior.1 A alteração ocorre quando uma pequena porção de tecido embrionário, que deveria ter sofrido apoptose durante o desenvolvimento, permanece na face ventral da língua, causando alterações de inserção e/ou comprimento.2 A alteração nesta estrutura pode se manifestar de diversas formas, desde uma prega que tem a inserção na crista alveolar até a que surgirá após as carúnculas sublinguais. O mesmo ocorre com a inserção na base da língua que pode estar inserida no ápice lingual ou antes dele. Esta alteração no freio da língua é denominada de anquiloglossia e popularmente conhecida como língua presa.3-5 Aspectos relacionados ao diagnóstico variam conforme o referencial teórico utilizado, baseando-se, na sua maioria, em critérios anatômicos relacionados à cavidade bucal na apresentação do freio lingual como curto e espesso. Há menção ao formato de “coração” e aos aspectos funcionais, entretanto não há um protocolo validado para avaliação de crianças em idade pré-escolares ou maiores.4 No Brasil há um consenso entre fonoaudiólogos para utilização de um protocolo que está em processo de validação.6 A prevalência da alteração do freio lingual pode variar conforme os critérios diagnósticos estabelecidos, dado que na literatura não há um consenso sobre o mesmo, sendo que os estudos indicam uma variação de 0,1 a 10,7%.4,7 A etiologia é desconhecida, mas há predomínio desta alteração no gênero masculino e quando há histórico positivo da alteração na família.4 As alterações funcionais vão depender da idade da crian- ça. Sabe-se que em muitos casos a alteração do freio da língua pode prejudicar o aleitamento materno; após, a aquisição de outras funções orofaciais, como a mastigação e a deglutição. E, por fim, alterar a aquisição e produção de alguns sons na fala ou até mesmo em comprometimentos sociais. As alterações mais comumente encontradas são a redução ou inabilidade na mobilidade da língua (principalmente a vibra- ção), a imprecisão articulatória devido a redução da abertura da boca e a dificuldade na aquisição ou produção distorcida do fonema [r] e dos grupos consonantais com [l] e com [r], além da distorção para os fonemas fricativos.3,5 A técnica cirúrgica envolve procedimentos simples e pode ser facilmente realizada em consultório odontológico. Sob a anestesia local do nervo alveolar inferior e lingual, insere-se um fio de sutura no ápice da língua para que seja realizado o tracionamento. É realizada então a secção da porção mais fina deste tecido localizada entre o processo alveolar e o dorso da língua. Por fim, é realizada a sutura e o paciente permanece sob avaliação.

Fonte: GOMES, Erissandra. Freio lingual: abordagem clínica interdisciplinar da Fonoaudiologia e Odontopediatria. 2015. Disponível em: . Acesso em: 05 mar. 2017.